Então, um doutor da lei, tendo se
levantado, disse-lhe para o tentar: Mestre, o que é preciso que eu faça para
possuir a vida eterna? Jesus lhe respondeu: Que é o que está escrito na lei?
Que ledes nela? Ele lhe respondeu: Amareis o Senhor vosso Deus de todo o vosso
coração, de toda vossa alma, de todas as vossas forças e de todo o vosso
espírito, e vosso próximo como a vós mesmos. Jesus lhe disse: Respondestes
muito bem; fazei isso e vivereis (E.S.E. , cap. XV – ítem 2)
Ainda
hoje encontramos dificuldades para compreender as palavras de Jesus. Buscamos
respostas distantes, quando na realidade a misericórdia Divina nos permite o
exercício do amor e da caridade, no próprio convívio familiar, junto daqueles
que nos cercam.
Somente
a Doutrina dos Espíritos consegue nos explicar as verdadeiras necessidades de
aprendizado que fazem parte da nossa bagagem espiritual, e que, pela
reencarnação, nos é permitido esse exercício através do relacionamento
familiar.
Quantas
reencarnações teriam sido mais bem aproveitadas por nós, pelo simples
cumprimento do planejamento que acreditávamos poder realizar enquanto
encarnados. Se ainda habitamos um mundo de Provas e Expiações, é porque grandes
são as nossas dificuldades de trabalharmos as nossas relações com os nossos
desafetos; pendências muitas vezes seculares, que somente próximos e no meio
familiar, poderemos avançar no nosso aprendizado.
Somente
o exercício do amor e da caridade, em substituição ao ódio, ao orgulho, poderá
fazer de nós, criaturas melhores.
De
extrema importância e responsabilidade a presença dos pais na educação dos
filhos, espíritos que dependem da qualidade dos ensinamentos recebidos desde
seus “nascimentos”, para que as virtudes recebidas possam transformar as dificuldades
por eles trazidas. Infelizmente nem sempre isso ocorre. Dificuldades recíprocas
entre familiares impedem muitas vezes que um equilíbrio seja mantido no
relacionamento, quando não temos forças suficientes para controle e domínio do
mal que ainda trazemos em nós.
Nesses
casos, não conseguimos compreender que a dificuldade que “o outro” apresenta,
na realidade, é a ferramenta que “precisamos” para corrigir nossas próprias
imperfeições e fraquezas.
Vocês
já pararam algum dia para pensar como funciona uma colméia? Já se deram conta
de que nela tudo é ordem, disciplina, preocupação pelo todo? A colméia é
formada por células de cera, que se contam aos milhares. Em algumas dessas
células existem ovos ou larvas de abelha. Outras servem como depósitos de pólen
e de mel. Essas são os favos de mel.
Numa
colméia podem existir até 70 mil abelhas, que exercem diferentes funções. As
operárias são as que alimentam as larvas, cuidam da colméia, trazem comida para
todos os habitantes da comunidade. As operárias começam como faxineiras,
limpando as células onde estão os ovos. Depois produzem a geléia real que serve
para alimentar as abelhas mais jovens e a rainha.
Também
trabalham como babás alimentando as abelhinhas mais crescidas com pólen e mel.
Com dez dias de vida elas se tornam construtoras. Começam a produzir cera, que
lhes permite construir e remendar as células da colméia.
A
rainha tem como tarefa botar ovos, dos quais sairão as operárias, os zangões e
as novas rainhas. No verão chega a botar em um só dia mil e quinhentos ovos. O
zangão, desde que nasce, tem por tarefa a procriação com a rainha. Depois
morre.
Tudo
na colméia reflete ordem, equilíbrio. As operárias são também as que saem da
colméia para buscar a matéria prima de que necessitam. Estranhamente, elas
nunca se enganam no caminho de volta para casa, para onde retornam com sua
preciosa carga. Embora sua vida seja curta, de cinco semanas apenas, elas não
se cansam de trabalhar pelo bem-estar de toda a equipe.
Podemos
pensar na família como uma colméia racional. Cada um tem sua tarefa a cumprir,
visando o crescimento da pequena coletividade, como exige o lar. E todos são
importantes no desempenho do grupo doméstico. É no seio da família, na
intimidade do lar, que se vão descobrir operárias incansáveis, trabalhando sem
cessar, não se importando consigo mesmas. Em constante processo de doação.
É
na família que se aprende a transformar o fel das dificuldades, as amarguras
das incompreensões no mel das atenções e do entendimento. É ali que se exercita
a cooperação. Afinal, como a família é uma comunidade, há necessidade de ajuda
mútua. Quando a família enfrenta as dificuldades com união, cresce e supera
problemas considerados insolúveis. Para que a família progrida no todo, cada um
deve se conscientizar de sua tarefa e realizá-la com alegria.
Para
isso precisamos do auxílio que vem do Alto. Nossos benfeitores espirituais
aguardam de nós aquele “sinal verde” que permite recebermos as inspirações e os
eflúvios benéficos que nos auxiliariam nos momentos difíceis, mas nada
conseguem se mantivermos uma “muralha” em nossos corações.
Somos
seres milenares e ainda vivenciaremos muitas outras encarnações nessa jornada
redentora para a nossa transformação moral. Mas alguns poderão perguntar: de
quantas encarnações ainda precisaremos? A resposta se encontra em cada um de
nós, pois somos os únicos responsáveis pelos nossos próprios atos e
pensamentos, definindo dessa forma a velocidade da nossa trajetória de
crescimento espiritual.
Para
os que perseveram no erro, a dor e o sofrimento são os antídotos que recebemos
para a cura do mal gerado. Deus jamais abandona nenhuma de Suas criaturas, pois,
Sua obra é perfeita, e, por maiores que possam ser as nossas dificuldades, um
dia nos tornaremos espíritos puros; quanto ao tempo, ele é irrelevante, pois
somos imortais e temos toda a eternidade disponível.
Paz
e muita luz a todos!
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