Vem ela vestida
de dor , saudade
ou ausência ,
traz consigo o ensejo
ao trabalho , à perseverança e à renuncia.
Parece muito compromisso ,
parece que o endereço
está errado, parece que Deus confiou demais .
Ajo como insensato ,
me escondo, bato a porta
e me perco nas malhas
da ilusão .
A criança que
não deixo nascer ,
o filho que
jogo ao largo ,
o esposo que
deixo ir , a mãe
que esqueci, o pai
com quem
não sei conviver ,
por certo
isso não
é felicidade .
E se a hora não
chegar foi porque
Deus não
quis; e eu como
um graveto
solto vou sendo levado pelo
vento da vida ,
sem endereço
certo , sem
compromissos firmados, sem obra
realizada, sem laço
eternizado.
O vazio tomou conta
de mim ? Foi a vida
que não
me trouxe sorte .
A solidão se faz permanente ?
Todos me
abandonaram, não souberam reconhecer
meu talento .
A família está ausente ? Não
souberam compreender minhas
necessidades .
O filho não
veio ? Veio
na hora e na forma
errada, não pude recebê-lo.
E os amigos , se foram com o tempo ? Que amigos são esses que já não me mantêm
na ilusão e não
ombreiam comigo na fuga
de mim mesmo ?
Jesus? Não soube nem mesmo me salvar .
A vida ? Foi vivida .
Não foi? Não
é assim que
se vive?
Perseverança, lutas , disciplina , respeito
ao outro , amor
aos pais , alegria
pelos filhos ,
trabalho , lágrimas ,
dor – tudo
isso era
a felicidade e eu
não sabia?
Uma nova vida
fará isso ?
O meu corpo
físico será o instrumento
de retificação do meu caminho , me
fará valorizar a amizade ,
a família , o trabalho
e Jesus, porque Ele
sempre esteve presente ,
mas eu
surdo não
ouvi a sua palavra
de chamamento, e cego que me fiz não encontrei o seu
olhar de ternura .
(autor desconhecido )
Revista Espírita
de Campos
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