domingo, 26 de abril de 2015

Um dia a felicidade


Um dia a felicidade bate à nossa porta e não a reconhecemos.

Vem ela vestida de dor, saudade ou ausência, traz consigo o ensejo ao trabalho, à perseverança e à renuncia.

Parece muito compromisso, parece que o endereço está errado, parece que Deus confiou demais.

Não me sinto pronto para a luta, sinto o peso da fragilidade, da dubiedade de sentimentos e da vacilante.


Ajo como insensato, me escondo, bato a porta e me perco nas malhas da ilusão.

Renunciar, trabalhar, lutar, como? Não me sinto preparado. Afinal não sou santo, o apelo da matéria é forte e os empecilhos, grandes demais.

A criança que não deixo nascer, o filho que jogo ao largo, o esposo que deixo ir, a mãe que esqueci, o pai com quem não sei conviver, por certo isso não é felicidade.

Conviver como? Se tudo é tão árduo e tão exigente!

Melhor fugir, deixar para depois, para quando for a hora certa, para quando for do jeito que espero, para quando tudo estiver favorável ao meu viver.

E se a hora não chegar foi porque Deus não quis; e eu como um graveto solto vou sendo levado pelo vento da vida, sem endereço certo, sem compromissos firmados, sem obra realizada, sem laço eternizado.

O vazio tomou conta de mim? Foi a vida que não me trouxe sorte.

A solidão se faz permanente? Todos me abandonaram, não souberam reconhecer meu talento.

A família está ausente? Não souberam compreender minhas necessidades.

O filho não veio? Veio na hora e na forma errada, não pude recebê-lo.

E os amigos, se foram com o tempo? Que amigos são esses que não me mantêm na ilusão e não ombreiam comigo na fuga de mim mesmo?

Jesus? Não soube nem mesmo me salvar.

A vida? Foi vivida. Não foi? Não é assim que se vive?

Por que ninguém me disse?

Perseverança, lutas, disciplina, respeito ao outro, amor aos pais, alegria pelos filhos, trabalho, lágrimas, dortudo isso era a felicidade e eu não sabia?

Por que ninguém me disse? Eu não quis ouvir? Por que não gritaram? Por que não me sacudiram?

Uma nova vida fará isso?

Então tenho que dar valor à vida, porque compreendo agora que ela é escola bendita de aperfeiçoamento, de luz e de aprendizado.

O meu corpo físico será o instrumento de retificação do meu caminho, me fará valorizar a amizade, a família, o trabalho e Jesus, porque Ele sempre esteve presente, mas eu surdo não ouvi a sua palavra de chamamento, e cego que me fiz não encontrei o seu olhar de ternura.

Não estava pronto para receber a felicidade, porque confundi felicidade com facilidade e imediatismo.

Que Jesus me perdoe e me espere porque quero ser um novo homem. O homem que aprendeu que felicidade chega com muitas faces, mas todas elas indicam um caminhoAmor a Deus e a meu próximo como a mim mesmo.


(autor desconhecido) Revista Espírita de Campos

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